
Juventude e renovação política: por que o novo ainda enfrenta barreiras?
A política define o presente e o futuro das sociedades, mas a presença jovem nos espaços de poder ainda é mínima. Mesmo com discursos cada vez mais fortes sobre renovação, os nomes que ocupam os cargos de decisão continuam sendo, em sua maioria, os mesmos. Por que essa transformação parece não sair do papel?
A realidade dos espaços de poder
A juventude é protagonista nas redes sociais, nas ruas e nos debates sociais. É a geração que move pautas ambientais, educacionais e de diversidade, além de liderar manifestações e coletivos. Mas quando observamos os cargos políticos, o cenário é completamente diferente. A média de idade no Congresso Nacional está entre 50 e 60 anos, e apenas 3,4% dos deputados federais eleitos em 2022 têm menos de 30 anos. A estrutura política segue dominada por famílias tradicionais e redes de poder consolidadas, dificultando a entrada de novos nomes.
Barreiras que impedem a participação jovem
Financiamento escasso: menos de 10% do fundo partidário chega a candidaturas jovens ou novatas.
Tempo de mídia desigual: candidatos veteranos têm vantagem na exposição pública.
Burocracia partidária: partidos dificultam candidaturas independentes ou inovadoras.
Preconceito etário: juventude é vista como falta de experiência, mesmo quando bem preparada.
Em 2022, por exemplo, uma jovem líder comunitária tentou concorrer ao cargo de deputada estadual. Apesar do engajamento digital e do apoio popular, enfrentou portas fechadas nos partidos, acesso mínimo a recursos e nenhum tempo de TV. Obteve menos de 5 mil votos, enquanto um candidato veterano foi reeleito sem precisar fazer campanha intensa. Essa situação reflete um sistema que favorece quem já está no poder.
Iniciativas que estão virando o jogo
Nos últimos anos, movimentos e projetos têm buscado romper essas barreiras e formar novas lideranças. Programas como RenovaBR e Acredito preparam jovens para a atuação política com base em ética, técnica e estratégia. Coletivos como PerifaConnection e NOSSAS levam vozes periféricas para câmaras municipais e assembleias, trazendo representatividade para quem sempre esteve à margem das decisões.
Financiamento coletivo: permite campanhas independentes, sem depender de grandes estruturas partidárias.
Exemplos internacionais: Gabriel Boric no Chile, Alexandria Ocasio-Cortez nos EUA e Sanna Marin na Finlândia provaram que jovens podem governar com eficiência e resultados.
Essas experiências mostram que, quando o novo tem espaço, a política se aproxima das reais necessidades da população.
Caminhos para uma renovação verdadeira
Para que a renovação política deixe de ser promessa, é preciso enfrentar questões estruturais. A reformulação do modelo de financiamento, a criação de cotas etárias nos partidos e a formação política desde a escola são passos urgentes. Mas a mudança também depende da sociedade, que precisa estar disposta a apoiar, ouvir e votar em quem traz ideias novas, mesmo que isso incomode um sistema acostumado à repetição.
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